sexta-feira, 15 de agosto de 2008

#7

O barulho estridente já tão convencional tinha acabado de avisá-la que era hora de parar um pouco para respirar. Dali a quinze minutos a correria continuaria. Intervalo.
Primeiro lugar que pensou em ir: o tão habitual companheiro das meninas nessas horas, nosso conhecido banheiro.
Mas não foi. Poderiam vê-la por lá. Afinal, é para onde todas correm. Continuou andando. Resolveu então ir sentar na arquibancada da quadra, que àquela hora estaria vazia. Foi. Sentou. E chorou. Deixou as gotas salgadas que escorriam de seus olhos fluírem para todo o seu ser. Estática, tentava apenas não pensar em nada. Estava precisando explodir de algum modo, mas em público é que não seria. Acalmou-se, aos poucos. Depois de esgotar seu estoque de lágrimas, se deitou e olhou para as nuvens, tão calmas, lá no céu.
Às vezes nos frustramos com coisas que já nos parecem determinadas, que já havíamos tomado como verdades absolutas. Mas, sem dúvida, a frustração é bem maior quando se trata de descobrir que algo que você achava tão certo, que já estava tão nítido, era falso.
A falsidade deve ser a coisa que há de mais podre em nós. Se não for, eu realmente não consigo pensar no que pode ser. Ainda bem que ela não ataca todos a todo o momento. Mas há aqueles que estão sempre com ela por algum motivo que não cabe a nós definir.
Naquela manhã de quarta-feira, após uma aula de álgebra, no primeiro intervalo do dia, ela chorava por ter sido enganada por seus próprios conceitos sobre uma pessoa que na verdade não sabia quem era. Achou até que poderia lhe servir de lição, daquelas que guardamos bem, para nunca mais cometer seus erros. É incrível como podemos nos pregar peças. Mas parou de se culpar. Ia seguir em frente, olhar apenas adiante, e fingir que nada havia acontecido. E ia fazer tudo isso com a mesma classe de sempre, nem que fosse sofrer ao disfarçar. Não se podia dar por vencida. Agora, com aquela pessoa, também iria saber ser falsa, tanto quanto ela foi, caso precisasse, um dia. Enquanto essa pessoa, coitada, ainda teria muito que sofrer e aprender com a vida. E, sem dúvida, um dia provaria do mesmo veneno.

(escrito em 19 de março de 2008)

2 comentários:

Maah disse...

Noossa, eu até me assusto as vezes com o jeito que você escreeve, Muito dificil de escrever textos assim, pelo menos eu acho.. heuhauaheueh

aaah, e sobre a falsidade.. Nem comento
acho que todo mundo tem um pouco, e em dose certa e com as pessoas certas, da tudo certo ;)
mais só de pensar é realmente horrivel!

Beeijo !

Guilherme disse...

Paraabénns !

ta ninja pakass ak :)


vc escreve mtu bem :)


BjOO !

bRiH Te Adora !